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Central do Vôlei Nestlé defende o Brasil na Olimpíada de Surdos

Nati Martins é a estrela da Seleção Brasileira na competição que será disputada na Turquia, de 18 a 30 de julho. Atleta embarcou na madrugada desta quarta-feira (12) e vai passar as próximas três semanas sem o aparelho auditivo

11.07.2017  |  1.393 visualizações

Osasco (SP) – Nati Martins faz história como a primeira profissional surda do vôlei nacional. Para defender o Vôlei Nestlé, alia técnica e garra ao auxílio do aparelho auditivo. Porém, nas próximas três semanas, a central abrirá mão deste recurso. Vai deixar de ouvir sons familiares, desde a voz das pessoas à batida da bola na quadra. Sacrifício em prol da Seleção Brasileira na Surdolimpíada, de 18 a 30 de julho, na cidade de Samsun, na Turquia.

A central do Vôlei Nestlé embarcou para a Turquia na madrugada desta quarta-feira (12) e retirou o aparelho ao desembarcar em Istambul. “Preciso me adaptar, porque é completamente diferente jogar sem ouvir nada. Você perde uma parte da referência. Por isso, quanto antes eu entrar nesse ritmo, melhor. É sempre um pouco estranho, inclusive para me comunicar, pois vou usar a linguagem dos sinais. Mas faz parte do processo e vai dar tudo certo”, afirma Nati Martins, que fez campanha para ajudar a levantar fundos para garantir a viagem da equipe nacional.

A Seleção Brasileira Feminina de Vôlei de Surdos estreia na Surdolimpíada contra a Ucrânia, dia 19 deste mês. No dia seguinte, joga contra a Polônia. E encerra sua participação na fase de classificação contra a forte equipe dos Estados Unidos, dia 22. A partida será a reedição da final dos Jogos Pan-Americanos do ano passado, quando as norte-americanas foram as campeãs. Nati não ganhou a medalha de ouro, mas foi eleita a melhor jogadora do campeonato. “Vamos lutar pelo título. Não é fácil, porque o time dos EUA é muito forte. Mas o Brasil vai com tudo”, diz.

Nati perdeu 70% da capacidade auditiva aos 4 anos de idade. O vôlei entrou na sua vida aos 11 anos. "Como eu já era alta, a professora de educação física indicou o vôlei. Comecei e, mesmo com a deficiência, o esporte deu forças para me superar e vencer. Eu me considero uma guerreira. Tenho o problema de audição, mas treino normalmente como todas as outras jogadoras", explica a atleta, que agradece a mãe pela criação voltada para a inserção. "A dona Irani não teve medo de me deixar passar pelas situações da vida. Com 6 anos já usava o aparelho auditivo e ia sozinha para a escola. Sou grata por ela ter me liberado e estimulado a esse aprendizado".

Segunda temporada no Vôlei Nestlé - Primeira profissional surda de vôlei brasileiro, Nati fará a segunda temporada pelo Vôlei Nestlé. A central chegou ao time de Osasco em 2016, disposta a encarar o desafio de disputar uma posição que já teve Thaisa e Adenízia como titulares por quase uma década. Trabalhou duro e ajudou sua equipe a conquistar o título paulista e a medalha de prata na Superliga. "Estou muito feliz em fazer parte desse projeto por mais um ano. Que tenhamos uma temporada cheia de alegria, perseverança e superação", observa a meio de rede de 32 anos, natural de Lorena, no Vale do Paraíba, em São Paulo.

A Surdolimpíada é organizada pelo Comitê Internacional de Desportos de Surdos (ICSD - sigla em inglês). É a versão dos Jogos Olímpicos exclusiva para atletas com deficiência auditiva. Na 23ª edição, conta com a participação de 80 países e 5 mil atletas na disputa em 21 modalidades esportivas.

Reforços e renovações – O Vôlei Nestlé se prepara para a temporada 2017/18 com o foco em manter a tradição na disputa de títulos. Para isso, contratou a levantadora Fabíola, a ponteira Mari Paraíba, a central Ju Mello e a oposta Lorenne. Além do quarteto, o clube de Osasco renovou os contratos das centrais Bia e Nati Martins, das ponteiras Tandara e Bruna Neri, da oposta Paula Borgo, das levantadoras Carol Albuquerque e Zeni e da líbero Tássia.

Temporada de bons resultados – O time de Osasco manteve-se entre as maiores forças do Brasil na temporada 2016/17. No período, o técnico Luizomar e suas comandadas foram campeões paulistas, semifinalistas da Copa do Brasil 2017 e vice-campeões da Superliga 2016/17. No Mundial de Clubes, a equipe terminou em sexto lugar.

Nutrindo os Sonhos dos Jovens - De olho no futuro e na nova geração do vôlei brasileiro, o Vôlei Nestlé reforçou o DNA de seu projeto ao firmar parceria com o Programa Global "Nutrindo os Sonhos dos Jovens", lançado pela Nestlé na Europa em 2013, e que chegou ao Brasil no final de 2015. A equipe para a temporada 2017/18 deve manter a filosofia de mesclar atletas experientes com jovens, que buscam espaço em um clube tradicional como o Osasco. O programa está voltado para a capacitação de jovens para qualificá-los profissionalmente.

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  • Nati joga sem o aparelho auditivo na seleção
    (João Pires/Fotojump)

  • Nati foi a melhor jogadora do Pan de 2016
    (João Pires/Fotojump)

  • A central Nati Martins
    (João Pires/Fotojump)

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