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Trio de jovens cariocas disputa a Copa do Mundo de Futebol Social na Noruega

Os garotos Leonardo e Murilo e a garota Juliana integram a seleção brasileira mista na competição que será realizada entre 29 deste mês e 5 de setembro em Oslo. O Brasil é o número 1 do ranking mundial

09.08.2017  |  363 visualizações

São Paulo (SP) – Três atletas cariocas integram a seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo de Futebol Social, a Homeless World Cup, em Oslo, na Noruega: Leonardo Conceição e Murilo dos Santos, ambos de 21 anos, que moram no Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão e em Padre Miguel, respectivamente, e Juliana Conceição, de 17 anos, que hoje vive em Niterói. Eles representarão o Brasil no torneio, entre o dia 29 deste mês e 5 de setembro, ao lado de outros quatro garotos – Mickael, Felipe, Igor e Leonel- e uma garota - Andreza.

Juliana foi selecionada para representar a seleção brasileira e representa o projeto social Loirinho RJ, de Niterói. "Depois dessa experiência com o Futebol Social, posso dizer que estou mais motivada. A minha fé estava se esfriando perante a todo o meu esforço no meu dia a dia, para que meu sonho pudesse ser realizado, de jogar futebol e representar meu País. Mas hoje, graças a Deus, estou com foco nos trabalhos e muita determinação", conta Juliana.

O representante da Zona Norte do Rio é o jovem Leonardo, do projeto social da Comunidade Complexo do Alemão RJ, que vive com seus pais e mais 11 irmãos no bairro carioca. "Foi meu pai que me incentivou a jogar bola, quando eu tinha nove anos. Eu tinha um sonho de vestir a camisa da seleção, então para mim este é um momento de emoção e de saber que este sonho está sendo realizado", conta. "Sou um atleta muito comprometido com a partida e com a equipe. Na Ong Futebol Social, aprendi a me doar mais no jogo como um todo", conclui Leonardo.

E, do projeto de Padre Miguel RJ, da Zona Oeste, o terceiro integrante carioca da seleção, o jovem Murilo. "Acho que o sonho de todo adolescente que gosta e joga futebol é de um dia poder vestir a famosa amarelinha, mas quando isso se torna realidade é algo surreal. Saber que você está representando o seu País é uma das melhores sensações que alguém poderia sentir, as pessoas depositam uma confiança em você, você se sente bem com isso", destaca Murilo.

A competição internacional, que chega a 15ª edição, é realizada em uma quadra reduzida de gramado sintético, com três atletas na linha e um no gol, além de quatro reservas. Atual número 1 do ranking mundial, a seleção brasileira de futebol social foi campeã em 2010, no Rio de Janeiro, e em Poznan (POL), em 2013.

O Brasil tem um bom histórico recente na competição. Além dos títulos conquistados, o País marca presença entre as quatro melhores seleções do torneio desde 2009. Vice-campeã na última edição da Copa do Mundo de Futebol Social, em Glasgow (ESC), o Brasil foi terceiro colocado em três oportunidades, 2009 (Milão), 2011 (Paris) e 2012 (Cidade do México), e quarto colocado em 2014 (Santiago) e 2015 (Amsterdã).

Os oito jogadores selecionados para competir pelo Brasil na HWC passaram por diversas seletivas realizadas pelos projetos parceiros da Ong Futebol Social, sendo eles representantes do Distrito Federal (Projeto São Sebastião DF), São Paulo (Baixada 013 São Vicente, Garotos Bunge SP e Bola da Vez Sorocaba) e Rio de Janeiro (Padre Miguel RJ, Loirinho RJ e Comunidade Complexo do Alemão RJ). Ao todo, mais de 50 organizações ao redor do País estão envolvidas nos projetos da Ong.

A seleção brasileira – Leonardo, Murilo e Juliana representam o Rio. Mickael é o atleta da Capital Federal. Nascido em São Paulo e criado em Osasco, Igor Oliveira, 19 anos, é o representante paulistano na competição, enquanto Felipe Pinho, de 17 anos, é de Sorocaba. Dois atletas são da Baixada Santista: Andreza Guedes, de 19 anos, nascida em Santos e moradora de São Vicente, e o goleiro Leonel da Silva, de 17 anos, também de Santos.

Atuais campeões da América - A seleção brasileira de futebol social é atual campeã da Copa América de 2017 da modalidade. Na fase de grupos foram três jogos. Na abertura, vitória contra a seleção B da Costa Rica, por 6x4. Em seguida, os brasileiros venceram Argentina, por 5x3, e o Chile, por 6x2. Na semifinal, um adversário que sempre complica para o Brasil: o México, batido pelo placar apertado de 5x4. E, na decisão, outra vez os chilenos, vencidos por 5x1.

Principais regras do futebol social - No futebol social, a quadra é reduzida, tem apenas 22 metros de comprimento e 16 de largura. O time vencedor ganha três pontos no campeonato, o perdedor, zero. Em caso de empate, disputa alternada de pênaltis, com dois pontos para o vencedor e um para o time que perder. São dois tempos de sete minutos, com intervalo de um minuto. Os goleiros não podem sair da área, marcar gols, ou fazer cera. Os jogadores de linha também não estão permitidos a invadir a área dos goleiros, sob a pena de um pênalti do time adversário. O Fair Play (jogo limpo) é incentivado nos torneios, e um troféu exclusivo é destinado ao time que demonstrar e jogar com o espírito genuíno do futebol.

Para os jogadores que não jogarem nesse espírito do Fair Play, penalidades: cartão azul (dois minutos) ou vermelho (expulsão do jogo) e, em último caso, exclusão do torneio. Pelo menos um jogador deve ficar no campo oposto, ou seja, três atacam e dois defendem. Uma falta será marcada contra o time que ficar totalmente em seu lado. Se um jogador recebe um cartão azul, enquanto o time estiver com jogador(es) a menos, esta regra não é válida. Da mesma maneira, esta regra não vale se um jogador recebe um cartão vermelho.

Sobre a Ong Futebol Social - O Futebol Social promove um movimento pioneiro que conecta jovens e comunidades carentes de todo o País, tendo como objetivo principal integrar, motivar e fortalecer seus participantes. Fazem parte da rede Futebol Social projetos sociais e movimentos comunitários atuantes em periferias, favelas, comunidades ribeirinhas e quilombolas, entre outros grupos e regiões socialmente excluídos. Participam jovens de 16 a 21 anos, que vivem em situação precária de moradia (ou sem moradia), sob risco social e sem condições plenas de desenvolvimento. Desde 2004, o projeto já atendeu mais de 20 mil jovens, por meio da rede Futebol Social, que reúne anualmente pelo menos 50 entidades de diversos estados e regiões do país. Já participou de mais de 20 eventos internacionais em cinco continentes do mundo.

Atividades, eventos e torneios locais são realizados em diversas cidades, em conjunto com outras ações comunitárias e de cidadania. Por meio de diversas ações, a Ong busca proporcionar experiências de vida únicas a jovens que têm no esporte a chance de conhecer outras realidades e viver momentos de lazer e entretenimento, acreditando serem poderosas ferramentas na luta contra a pobreza e a violência do dia a dia. “Futebol Social: ganhar é virar o jogo!” é o lema da Ong. Um dos resultados do projeto é a formação das seleções brasileiras masculina e feminina que jogam o Campeonato Mundial de Futebol Social (Homeless World Cup) e outros eventos internacionais.

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